Golpe da Havan: como quadrilha faturou R$ 576 mil em um dia

Friday, 27 March 2026
Operação em Santa Catarina revela esquema sofisticado que faturou mais de meio milhão de reais em apenas um dia utilizando a marca catarinense.
Uma investigação detalhada da Polícia Civil de Santa Catarina resultou, nesta quinta-feira (26), em uma operação interestadual para desarticular uma quadrilha especializada em estelionato. O grupo criminoso utilizou de forma fraudulenta o nome e a credibilidade da Havan, gigante do varejo com forte ligação histórica em Blumenau e região, para atrair vítimas e movimentar cifras impressionantes.
O esquema chamou a atenção das autoridades pela velocidade do lucro: em apenas 24 horas, no dia 14 de agosto de 2025, os golpistas conseguiram arrecadar cerca de R$ 576 mil. O valor era oriundo de vítimas de todo o país que acreditavam estar lidando com canais oficiais da empresa.
Como funcionava a fraude
De acordo com as investigações, os criminosos abriram uma conta bancária fraudulenta em nome da "Havan S.A." junto a uma plataforma de pagamentos. Para conferir veracidade ao golpe, o grupo utilizava anúncios impulsionados em redes sociais e técnicas de manipulação de imagem e voz, simulando comunicados oficiais.
Após o dinheiro entrar na conta falsa, os valores eram rapidamente fragmentados e transferidos para contas de "laranjas" em diversos estados, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Essa técnica, conhecida como espelhamento (mirroring), visa dificultar o rastreio do dinheiro e reinseri-lo no sistema financeiro de forma aparentemente legal.
Resposta e segurança ao consumidor
O empresário Luciano Hang manifestou-se sobre a operação, reforçando que a empresa tem combatido ativamente a proliferação de sites falsos — já foram identificadas e tentadas derrubadas de aproximadamente 600 páginas fraudulentas.
Para os moradores de Blumenau e clientes da rede, a orientação é clara:
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O cartão Havan é gratuito e deve ser feito exclusivamente em lojas físicas.
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Promoções e anúncios devem ser verificados apenas nos perfis oficiais (com selo de verificação).
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Desconfie de pedidos de transferências ou depósitos via PIX em troca de brindes ou quitação de dívidas fora dos canais oficiais.
A Polícia Civil agora analisa os dispositivos eletrônicos apreendidos para identificar a extensão total do prejuízo e outros possíveis envolvidos. Os suspeitos devem responder por estelionato, falsidade ideológica e lavagem de capitais.