Morador de Blumenau preso injustamente no Caso Evandro quebra o silêncio

Morador de Blumenau preso injustamente no Caso Evandro quebra o silêncio
Foto: Osvaldo em depoimento (G1)

Tuesday, 07 April 2026

Após decisão definitiva do STF que confirmou inocência e tortura, Osvaldo Marcineiro reconstrói a vida no Vale do Itajaí e relembra décadas de dor.

A longa espera de 34 anos por um ponto final jurídico chegou ao fim para um conhecido morador de Blumenau. Osvaldo Marcineiro, um dos nomes centrais do histórico "Caso Evandro", finalmente respira aliviado com o trânsito em julgado da decisão que anulou suas condenações. Agora, vivendo de forma discreta no Vale do Itajaí, ele compartilha o peso de carregar por décadas uma culpa que nunca foi sua.

O fim de um pesadelo jurídico

Na última semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou oficialmente qualquer possibilidade de recurso no processo que envolvia a morte do menino Evandro Ramos Caetano, ocorrida em 1992, em Guaratuba (PR). A decisão mantém a anulação das condenações, fundamentada na comprovação de que as confissões foram obtidas mediante tortura — fato que chocou o país após a divulgação de fitas inéditas pelo podcast Projeto Humanos.

Para Osvaldo, que passou mais de sete anos atrás das grades em regime fechado, a notícia é o desfecho de uma luta hercúlea. "Pixavam o muro da minha oficina. Achavam que eu era um assassino", relembra a vítima sobre os dias sombrios em que tentava reconstruir a vida em solo catarinense sob o olhar de desconfiança da sociedade.

Rotina em Blumenau: entre o trauma e o recomeço

Apesar da vitória nos tribunais, as marcas da injustiça permanecem. Hoje, Osvaldo divide seu tempo entre Blumenau e a casa de familiares, lidando com uma saúde debilitada pelas sequelas dos anos de cárcere e violência.

Em seu desabafo, ele revela que o estigma ainda o persegue em conversas cotidianas. "Muitos ainda perguntam: 'se não foram vocês, quem foi?'. Mas ninguém sabe", lamenta. Longe dos holofotes dos grandes rituais judiciários, o morador de Blumenau foca agora em projetos simples e pacíficos, como o desejo de cultivar cogumelos e cuidar da própria recuperação física e mental.

Autoridade e o direito à reparação

A defesa dos inocentados já sinaliza que o próximo passo será a responsabilização do Estado. Como as provas foram declaradas nulas devido às práticas ilícitas dos agentes públicos da época, abre-se o caminho para pedidos de indenização por danos morais e materiais.

Este desfecho não é apenas uma vitória pessoal para o morador de Blumenau, mas um marco para o judiciário brasileiro, reforçando que nenhuma condenação pode subsistir sobre a base da violência e do erro estatal. Para a comunidade de Blumenau, o caso serve como um lembrete severo sobre os perigos do pré-julgamento e a importância da busca incessante pela verdade.


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Redação

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