Polícia prende em Blumenau o principal aliciador de mulas para a Rússia

Wednesday, 15 April 2026
Investigação aponta que suspeito recrutava pessoas na Itoupava Norte para transporte internacional de cocaína monitorado por AirTags.
A Polícia Civil de Santa Catarina deu um golpe decisivo no tráfico transnacional nesta semana ao prender, em Blumenau, o homem apontado como o principal recrutador de "mulas humanas" para uma organização criminosa. A prisão, ocorrida na tarde de terça-feira (14), no bairro Itoupava Norte, revela detalhes de um esquema sofisticado que conectava o Vale do Itajaí a Moscou, na Rússia, utilizando tecnologia de rastreamento e recrutamento de pessoas vulneráveis.
O lide da investigação, batizada de Operação Moscou, teve início após o próprio irmão do suspeito ser flagrado no Aeroporto de Florianópolis tentando embarcar para o exterior com entorpecentes escondidos no próprio corpo. A partir dessa detenção, os agentes monitoraram a rotina na Itoupava Norte e descobriram que o aliciador não apenas convencia as vítimas, como gerenciava toda a logística de risco.
Logística do crime: AirTags e lucro de 1.000%
Segundo as autoridades, o suspeito buscava pessoas com dívidas ou em extrema vulnerabilidade social. Ele era o responsável por coordenar as viagens e utilizava dispositivos AirTags para monitorar cada passo dos transportadores em tempo real.
Na residência em Blumenau, a polícia apreendeu cocaína avaliada em R$ 50 mil, montante que poderia render até R$ 500 mil no mercado europeu. Além da droga, celulares e documentos que comprovam a associação para o tráfico foram confiscados, reforçando a autoridade das provas colhidas pela Polícia Civil.
A conexão com a mansão de Jurerê Internacional
O desdobramento da operação em Blumenau está diretamente ligado à prisão de um cidadão russo, ocorrida no último sábado (11), em uma mansão em Jurerê Internacional, Florianópolis. No local, funcionava um laboratório clandestino de refino de cocaína.
Enquanto o comparsa estrangeiro mantinha uma fachada de vizinho tranquilo que apenas "regava as plantas", o núcleo blumenauense operava a ponta final da logística: o recrutamento humano. O homem preso em Blumenau foi autuado em flagrante e já se encontra no sistema prisional, à disposição da Justiça.