Gaeco apura propina de R$ 3,6 milhões na merenda

Gaeco apura propina de R$ 3,6 milhões na merenda
Foto: Alimentos na merenda (divulgação)

Friday, 08 May 2026

Operação Arbóreo detalha viagens ao Paraná para buscar dinheiro vivo e divisões feitas no estacionamento da prefeitura e supermercados.

A educação de Blumenau está no centro de uma nova investigação do Gaeco. Na manhã desta quinta-feira (7), a Operação Arbóreo foi deflagrada para desarticular um suposto esquema de corrupção envolvendo o fornecimento de merenda escolar na rede pública municipal. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o esquema teria movimentado mais de R$ 3,6 milhões em vantagens indevidas entre junho de 2022 e dezembro de 2024.

O lide desta investigação aponta um roteiro cinematográfico: após o pagamento das faturas pela prefeitura, um operador do esquema — descrito como braço direito na administração — viajava frequentemente até Araucária, no Paraná, sede da empresa contratada, para recolher propina em espécie. Ao retornar para Blumenau, o dinheiro era distribuído entre os envolvidos em locais públicos e privados para evitar suspeitas.

Como funcionava o esquema da merenda em Blumenau

As investigações da 14ª Promotoria de Justiça de Blumenau indicam que o pagamento das vantagens ocorria de forma sistemática. O nome da operação, "Arbóreo", faz alusão ao tipo de arroz utilizado em risotos, uma referência direta ao nome da empresa investigada, a Risotolândia.

De acordo com o Gaeco, os encontros para a entrega do dinheiro vivo aconteciam em:

  • Residências dos investigados;

  • Supermercados da região;

  • Estacionamento da própria prefeitura de Blumenau.

Mandados e crimes investigados

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Blumenau, Indaial e Araucária (PR). Os agentes recolheram documentos, computadores e celulares que passarão por perícia. O caso, que tramita sob sigilo, apura crimes de corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e organização criminosa.

Vale lembrar que, em 2023, a prefeitura de Blumenau já havia rompido o contrato com a empresa após o esgotamento precoce dos valores previstos, optando por uma contratação emergencial. Na época, a empresa tentou reverter a decisão na Justiça, mas o pedido foi negado.

O que dizem os envolvidos

Em nota oficial, a prefeitura de Blumenau informou que as operações deflagradas nesta quinta-feira investigam contratos de gestões passadas e da atual, e que a administração está colaborando integralmente com as autoridades, reafirmando seu compromisso com a transparência. A defesa dos investigados e a empresa ainda não se manifestaram publicamente sobre os detalhes das acusações.


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Redação

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