Alerta de raiva no RS preocupa Santa Catarina

Alerta de raiva no RS preocupa Santa Catarina
Foto: Zootécnicos tratando um morceguinho (divulgação)

Friday, 08 May 2026

Com letalidade próxima de 100%, doença exige atenção redobrada de moradores e produtores rurais para evitar contágio pelo ciclo silvestre.

O recente alerta sanitário emitido no Rio Grande do Sul, confirmando focos de raiva em Tiradentes do Sul e São Nicolau, colocou as autoridades de saúde de Santa Catarina em estado de vigilância. Embora as ocorrências estejam em solo gaúcho, o vírus não respeita divisas geográficas, o que exige atenção imediata de moradores de Blumenau e de todo o Vale do Itajaí. A proximidade entre os estados e a circulação natural de morcegos, principais transmissores no ciclo atual, acendem o sinal amarelo para a prevenção local.

A realidade da raiva em solo catarinense

Em Santa Catarina, a raiva em herbívoros é monitorada rigorosamente pela Cidasc. Registros recentes em cidades como São Bento do Sul, Major Gercino e Mafra comprovam que o vírus circula no território catarinense através de morcegos. Para quem vive em Blumenau e região, onde o contato com áreas verdes e animais é comum, entender que o risco é real torna-se o primeiro passo para a segurança. Vale lembrar que o estado não registrava casos humanos há décadas até o trágico episódio em Gravatal, em 2019, causado pela mordida de um gato infectado.

Sintomas e a gravidade da doença

A raiva humana é uma encefalite (infecção cerebral) progressiva e aguda. Sua taxa de letalidade beira os 100%. A transmissão ocorre pela saliva de mamíferos infectados — sejam morcegos, cães, gatos ou animais de produção — através de mordidas, arranhões ou lambeduras em pele lesionada. Os sinais iniciais podem parecer simples, como mal-estar e alterações de sensibilidade no local do ferimento, mas evoluem rapidamente para:

  • Agitação e espasmos musculares;

  • Hidrofobia (dificuldade e dor ao tentar ingerir líquidos);

  • Paralisia progressiva.

Mudança no perfil: o perigo vem da mata

Dados de 2025 mostram que o Brasil registrou três mortes por raiva humana (Pernambuco, Ceará e Amapá). O cenário atual indica o desaparecimento do ciclo urbano (cães) e a predominância do ciclo silvestre. Em um dos casos, a infecção ocorreu após contato com um sagui; em outro, o vírus tinha origem em morcegos. Isso reforça a necessidade de evitar o manuseio de animais silvestres, mesmo que pareçam dóceis ou estejam caídos no chão.

A regra de ouro da infectologia

A prevenção é a única barreira eficaz. A vacinação anual de animais domésticos e de produção é essencial. No entanto, a médica infectologista e professora da Universidade Regional de Blumenau (FURB), Sabrina Sabino, reforça que a "regra de ouro" para salvar vidas é a busca imediata por uma unidade de saúde após qualquer contato suspeito. A profilaxia pós-exposição, que inclui vacina e, se necessário, soro antirrábico, deve ser aplicada antes que o vírus atinja o sistema nervoso central, momento em que a medicina já pouco pode fazer.


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Redação

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