Justiça bloqueia R$ 120 milhões em operações contra corrupção

Justiça bloqueia R$ 120 milhões em operações contra corrupção
Foto: Maço de dinheiro (divulgação)

Wednesday, 13 May 2026

Gaeco investiga esquemas que envolvem de merenda escolar a grandes obras públicas na cidade; 20 empresas e 15 pessoas estão na mira.

A Justiça catarinense determinou o bloqueio de mais de R$ 120 milhões pertencentes a empresas e servidores públicos investigados por esquemas de corrupção em Blumenau. A decisão ocorre após o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deflagrar três megaoperações paralelas para combater o desvio de recursos públicos e o pagamento de propinas no município.

As investigações, conduzidas pelo Gaeco, revelam uma rede de corrupção que operava em diferentes frentes da administração municipal e do setor privado. O montante bloqueado é referente à movimentação de propinas entre os envolvidos, com o objetivo de garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

Operação Ponto Final concentra maiores valores

A maior fatia dos recursos bloqueados, cerca de R$ 117 milhões, pertence à Operação Ponto Final. Esta investigação foca em suspeitas de irregularidades em contratos de obras públicas em Blumenau, que somam mais de R$ 600 milhões.

O esquema funcionava por meio de um cartel dividido em três grupos: empresários do setor de obras, servidores públicos e fiscais. Entre os projetos sob suspeita estão a construção de dois terminais urbanos na cidade. Segundo o Gaeco, recursos públicos eram convertidos em dinheiro vivo para facilitar o repasse das vantagens indevidas.

Desvios na merenda e segurança nas escolas

Além das obras, outras duas frentes de investigação detalham o alcance da corrupção na cidade:

  • Operação Arbóreo: Investiga o desvio de verbas destinadas à merenda escolar. O MPSC identificou o pagamento de mais de R$ 3,6 milhões em propinas neste setor.

  • Operação Sentinela: Resultou no bloqueio de R$ 760 mil que teriam sido desviados de contratos de segurança escolar em Blumenau.

Alcance das investigações e prisões

Ao todo, as três operações atingem 20 empresas e 15 pessoas. O grupo de investigados inclui ex-servidores da prefeitura de Blumenau, sendo que um deles chegou a ser exonerado de um cargo que ocupava em Indaial após ter seu nome vinculado ao caso.

Durante o cumprimento dos mandados, o Gaeco apreendeu grandes quantias em dinheiro vivo, moedas estrangeiras e até armamentos de uso restrito, o que resultou na prisão de um dos envolvidos. O período investigado compreende contratos firmados principalmente entre os anos de 2021 e 2024, embora alguns acordos suspeitos sejam anteriores a esse intervalo.

O Gaeco, que reúne forças da Polícia Civil, Militar, Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros, segue analisando os documentos e materiais apreendidos para detalhar a extensão total dos prejuízos causados ao patrimônio público blumenauense.


>> SOBRE O AUTOR

Redação

>> COMPARTILHE