Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 em SC aplicou golpe em 7 estados

Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 em SC aplicou golpe em 7 estados
Foto: Divulgação

Monday, 08 June 2026

Investigada por estelionato viveu mais de um ano como filha adotiva no Norte catarinense e já passou por Florianópolis e Chapecó com táticas semelhantes ao longo de 15 anos.

A descoberta de que uma mulher de 37 anos se passou por uma adolescente de 12 anos e viveu durante 14 meses como filha adotiva de uma família em Joinville, no Norte de Santa Catarina, acendeu um alerta em todo o estado, incluindo moradores de Blumenau e do Vale do Itajaí. O caso, que choca pela complexidade, revelou-se um golpe em série de proporções nacionais: Amanda Maria Souza de Oliveira foi indiciada pela Polícia Civil catarinense após confessar ter aplicado exatamente a mesma farsa em outras sete unidades da federação ao longo de mais de 15 anos, simulando comportamento infantil e vulnerabilidade para ser acolhida por famílias e instituições.

Em Santa Catarina, além do caso recente no Norte do estado, as autoridades policiais já investigam outras duas ocorrências semelhantes registradas em Florianópolis e Chapecó. O histórico da suspeita inclui prisões anteriores e passagens por abrigos e hospitais usando identidades falsas.

O modus operandi: comportamento infantil e falsas histórias de abuso

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Amanda adotava sempre o mesmo método para se aproximar das vítimas. Ela se apresentava como uma menor de idade em situação de extrema vulnerabilidade social, alegando ter fugido de sua cidade natal devido a supostos abusos sofridos.

Embora alternasse os nomes e as idades informadas aos protetores, a golpista mantinha a narrativa de que tinha menos de 18 anos, apresentava comportamento infantilizado e, em algumas ocasiões, afirmava ter autismo.

Festa de 12 anos e tratamento de saúde em SC

No episódio recente em Joinville, Amanda conseguiu enganar um casal que se sensibilizou com a sua suposta história de abandono. Sob o nome falso de Gabriele, ela foi integrada à rotina da casa e tratada legitimamente como filha.

Durante os 14 meses em que permaneceu com os tutores, a mulher chegou a ganhar uma festa de aniversário para comemorar os supostos 12 anos e recebeu tratamento para emagrecer com o medicamento Mounjaro. A farsa só começou a desmoronar quando parentes da família acolhedora passaram a desconfiar de suas atitudes e características físicas. Atualmente, ela está presa preventivamente na cidade do Norte catarinense.

Histórico de farsas e agulhas pelo corpo

A trajetória de golpes da investigada começou a ser documentada pela polícia há pelo menos uma década e meia, acumulando episódios impressionantes pelo Brasil:

  • Natal (RN) - 2010: Amanda foi internada em um hospital alegando ter 13 anos. Na ocasião, médicos encontraram agulhas inseridas na região do seu abdômen. A polícia descobriu na época que ela já havia aplicado a mesma farsa em Fortaleza (CE).

  • Porto Alegre e Cachoeirinha (RS) - 2021: A mulher conseguiu enganar autoridades gaúchas e permaneceu abrigada em um lar para menores vulneráveis. Após perícia constatar a maioridade, ela foi presa preventivamente por estelionato consumado pela delegacia de Cachoeirinha, onde dizia ter 11 anos. Ela cumpriu seis meses de pena, sendo solta em junho de 2022.

  • Florianópolis (SC) - 2023: Amanda deu entrada no Hospital Infantil Joana de Gusmão queixando-se de dores abdominais enquanto morava em uma casa de acolhimento da capital. Um exame de raio-x revelou, novamente, diversas agulhas em seu corpo. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) chegou a pedir um exame de sanidade mental na época, mas a solicitação não foi acatada pela Justiça.

Defesa aguarda exames psiquiátricos

Indiciada formalmente por estelionato e falsa identidade no inquérito de Joinville, Amanda teve a realização de um exame psiquiátrico autorizada pela Justiça catarinense.

O advogado de defesa, Rafael Luiz Siewert, comunicou que aguarda a execução dos exames periciais para se manifestar de maneira mais aprofundada a respeito das conclusões policiais e do histórico da investigada. A data para o procedimento médico ainda não foi definida pelas autoridades judiciais.


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Redação

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