Operação do Gaeco mira empresa de TI na Itoupava Seca

Operação do Gaeco mira empresa de TI na Itoupava Seca
Foto: Divulgação

Thursday, 09 July 2026

Funcionários da Pública Tecnologia foram orientados pela polícia a voltar para casa no início da manhã desta quinta-feira durante a Operação Gaiola Digital.

Quem chegou para trabalhar na Pública Tecnologia, empresa de software com mais de 30 anos localizada no bairro Itoupava Seca, em Blumenau, foi surpreendido pela presença policial no começo da manhã desta quinta-feira (9). Em vez de iniciarem a jornada regular, os colaboradores encontraram agentes na porta e receberam orientações diretas para retornar para casa, enquanto viaturas da Polícia Científica e do Gaeco isolavam o local.

A ação faz parte da Operação Gaiola Digital, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em conjunto com o Grupo Especial Anticorrupção (Geac). A investigação apura um esquema complexo de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes correlatos envolvendo contratos de sistemas de gestão pública firmados com prefeituras e câmaras de vereadores em Santa Catarina.

Desdobramentos e alvos em Santa Catarina

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão. Além da sede da empresa em Blumenau, os mandados foram executados nas residências de pessoas investigadas distribuídas por sete municípios catarinenses:

  • Blumenau

  • Rio do Sul

  • Lages

  • Penha

  • Balneário Camboriú

  • Canoinhas

  • Irani

Conforme informações de bastidores obtidas pela apuração jornalística, o rol de suspeitos inclui figuras políticas e administrativas do Estado, como um prefeito em exercício na região Oeste, uma servidora pública atuante no Litoral Norte e um ex-vice-prefeito do Planalto Norte. As suspeitas de irregularidades recaem sobre contratos firmados em pelo menos 13 cidades diferentes.

Como funcionava o suposto esquema

A apuração do Ministério Público — que teve origem a partir de uma delação premiada vinculada à Operação Mensageiro — aponta que o núcleo empresarial e os agentes públicos agiam em conjunto para direcionar concorrências públicas. O método consistia em influenciar ou redigir termos técnicos em editais para favorecer a contratação da empresa previamente escolhida. Em contrapartida, ocorria o pagamento de propinas.

Segundo o Gaeco, o grupo exibia uma estrutura organizada com divisão clara de tarefas:

  • Articulação: Responsável pelo contato e negociação com os agentes políticos.

  • Técnica: Focada na elaboração dos documentos dos editais direcionados.

  • Financeira: Encarregada da operacionalização de pagamentos ocultos e lavagem de dinheiro.

Os investigadores identificaram indícios de lavagem de capitais por meio de saques fracionados e transações estruturadas para alimentar um caixa clandestino. No recorte temporal analisado pelas autoridades (de 2022 a 2026), o montante dessas movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade regular da empresa atingiu a cifra de milhões de reais.

O espaço permanece aberto para o posicionamento e o contraponto formal da Pública Tecnologia, que não pôde ser contatada para entrevistas até o fechamento desta edição.


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Redação

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