Única mulher na lista de foragidos de SC é procurada pela Interpol

Monday, 27 July 2026
Condenada pelo homicídio e ocultação do corpo da própria filha em Tubarão, Silvana Seidler segue desaparecida há mais de uma década após caminhar para fora de uma delegacia.
Há mais de dez anos, as forças de segurança de Santa Catarina e autoridades internacionais buscam o paradeiro de Silvana Seidler. Natural de Capão da Canoa (RS), ela detém uma marca singular e grave no sistema prisional catarinense: é a única mulher a figurar na lista oficial de foragidos da Polícia Civil do Estado. Além disso, integra o grupo restrito de apenas nove brasileiras com o nome inserido na Difusão Vermelha (Red Notice) da Interpol, alerta internacional que conecta policiais em 196 países.
Silvana foi condenada pelo assassinato e pela ocultação do cadáver de sua própria filha, Carol Seidler Calegari, de apenas 7 anos. O crime que chocou o estado ocorreu em 22 de dezembro de 2014, no município de Tubarão, no Sul catarinense.
Comportamento suspeito e fuga do distrito policial
No dia do crime, Silvana se envolveu em um acidente de trânsito na rodovia BR-101 e, em seguida, relatou aos familiares o suposto desaparecimento da filha. Diante do aviso, parentes iniciaram buscas pela menina ainda durante a manhã.
Contudo, atitudes estranhas da mãe chamaram a atenção do pai, da avó e de outros familiares. A avó paterna da criança, Neide Botega Calegari, relata o momento em que a família tentou checar a residência:
"Ela estava com a máquina de lavar lavando roupa no quarto onde o corpo da Carol estava, mas nós não sabíamos ainda. Estava trancado. Tentamos entrar, mas Silvana disse que ali não teria nada", declarou a avó.
Conforme as buscas avançavam naquele 22 de dezembro, o pai de Carol formalizou o registro de desaparecimento na delegacia no período da tarde. No mesmo intervalo, uma pessoa conhecida da família procurou a polícia relatando que Silvana havia admitido ter feito "uma coisa errada".
Levada à delegacia para prestar depoimento formal, a suspeita alegou aos agentes que havia adormecido e, ao acordar, notou a ausência da filha. No entanto, antes mesmo de concluir o procedimento de oitiva, Silvana — então com 48 anos de idade — levantou-se da cadeira, saiu caminhando pela porta da unidade policial e desapareceu sem deixar vestígios.
A descoberta do corpo e laudo pericial
Naquela mesma noite, o corpo de Carol Seidler Calegari foi encontrado em um cômodo nos fundos da casa da família. O cadáver da menina de 7 anos estava coberto por peças de roupa e cercado por brinquedos.
Exames do Instituto Geral de Perícias (IGP) confirmaram posteriormente que a causa da morte foi asfixia por esganadura.
Embora não houvesse histórico prévio de violência doméstica registrado naquela residência, as investigações da Polícia Civil concluíram que Silvana agiu sozinha no crime. A instrução do inquérito baseou-se em laudos técnicos periciais, depoimentos de testemunhas e medidas cautelares sigilosas.
Mandado de prisão em aberto e segredo de Justiça
Atualmente, o processo criminal tramita sob segredo de Justiça pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Silvana Seidler permanece com mandado de prisão preventiva em aberto no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), expedido pelo Juizado Especial Criminal e de Violência Doméstica da Comarca de Tubarão em novembro de 2022. Quaisquer informações sobre a localização da foragida podem ser repassadas anonimamente às autoridades policiais.