Golpe do spoofing: falsificação de chamadas preocupa

Golpe do spoofing: falsificação de chamadas preocupa
Foto: Divulgação

Monday, 28 September 2026

Técnica altera o identificador de chamadas e faz número de familiares, bancos e órgãos públicos aparecer na tela do celular.

A clonagem clássica de celulares deu lugar a uma tática ainda mais silenciosa e perigosa. Moradores de Blumenau e de todo o país precisam ficar atentos a uma modalidade de fraude conhecida como spoofing. A técnica de falsificação da identificação de chamadas permite que criminosos façam o nome e o número de telefone de um parente, de uma instituição bancária ou até de órgãos públicos — como delegacias — surgirem perfeitamente na tela de quem recebe a ligação, mesmo sem que o aparelho da pessoa representada tenha sido invadido ou clonado.

Como funciona a adulteração do identificador

A fraude ocorre a partir da contratação de centrais telefônicas virtuais operadas por softwares maliciosos. De acordo com o especialista em Ciência da Computação e professor Renato Bobsin Machado, essa estrutura permite aos fraudadores editar manualmente o número exibido para o destinatário antes de completar a chamada. Como o contato falsificado já está gravado na agenda telefônica da vítima, o sistema operacional do aparelho faz a correspondência automática, exibindo o nome salvo do contato familiar ou conhecido como se fosse uma chamada legítima.

Para dar sustentação às abordagens e tornar o enredo verossímil, os golpistas utilizam base de dados vazadas ao longo dos anos por redes sociais, instituições bancárias e empresas de crédito. As informações são cruzadas com perfis públicos na internet, onde os criminosos identificam conexões de amizade e laços familiares por meio de marcações e comentários. Em situações mais específicas, os dados da agenda telefônica também podem ser capturados por meio da instalação inadvertida de aplicativos maliciosos baixados de fontes não confiáveis.

Casos reais e o uso de inteligência artificial

As tentativas de fraude têm atingido perfis variados. Em um dos episódios registrados, uma vítima identificada como Cláudia Simone da Silva de Oliveira descobriu o uso indevido de seu número quando um familiar recebeu uma chamada mostrando o nome e o contato dela no identificador. Ao atender, o parente ouviu apenas uma mensagem gravada sobre uma suposta premiação. A verificação posterior confirmou que o aparelho de Cláudia continuava operante e sem sinais de clonagem, comprovando que apenas a exibição da chamada havia sido alterada.

Além dos contatos pessoais, números oficiais de órgãos públicos também vêm sendo camuflados. A Polícia Civil de Foz do Iguaçu (PR), por exemplo, emitiu um alerta após constatar que golpistas usavam a linha telefônica da própria delegacia para contatar vítimas.

O risco associado à modalidade tende a aumentar com o avanço de tecnologias sintéticas. A integração de softwares de inteligência artificial permite replicar o tom e o timbre de voz de familiares a partir de trechos de áudio extraídos da internet. Aliada a enredos de emergência — como falsos acidentes ou pedidos urgentes de transferência via Pix —, a tática busca induzir a vítima ao erro antes que ela possa checar a veracidade do contato.

Recomendações de segurança e prevenção

Diante do cenário de vulnerabilidade tecnológica, especialistas recomendam a adotação de procedimentos preventivos rigorosos ao atender chamadas telefônicas:

  • Confirmação por canal alternativo: Ao receber qualquer solicitação de transferência via Pix ou dinheiro, desligue a ligação imediatamente e entre em contato com a pessoa por outro meio, como mensagens no WhatsApp ou chamada direta a partir do seu teclado.

  • Criação de senha familiar: Estabeleça uma palavra ou pergunta-chave pré-combinada entre parentes próximos, cuja resposta só seja de conhecimento dos membros da família.

  • Proteção de dados sigilosos: Nunca informe senhas, códigos de validação por SMS, número de CPF ou dados bancários em chamadas recebidas.

  • Registro de ocorrência: Em caso de tentativa ou consumação de fraude, a orientação formal é efetuar o registro do boletim de ocorrência junto às autoridades policiais.


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Redação

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