Ex-secretário e empresário são presos pelo Gaeco

Friday, 09 October 2026
Força-tarefa investiga suspeitas de obstrução, falsidade ideológica e contratos de segurança escolar celebrados sem licitação após tragédia de 2023.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu preventivamente o ex-secretário municipal André Espezim e o empresário Leonardo de Souza. A ação faz parte da segunda fase da Operação Sentinela, deflagrada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para apurar irregularidades em contratos de segurança escolar e limpeza firmados pela Prefeitura de Blumenau após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023.
Além dos dois mandados de prisão preventiva, equipes da força-tarefa cumpriram nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Blumenau e Florianópolis. Nesta nova etapa das investigações, os agentes apuram a prática dos crimes de falso testemunho, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e obstrução da justiça.
Investigação sobre contratos emergenciais
A Operação Sentinela debruça-se sobre dispensa de licitação para contratação de serviços de vigilância nas unidades de ensino do município. O valor global das contratações sob suspeita ultrapassa R$ 9 milhões.
Segundo os promotores de justiça que coordenam o caso, a apuração aponta indícios de direcionamento de concorrências, vazamento de propostas para favorecer empresas específicas e repasses financeiros disfarçados por meio de intermediários e postos de combustíveis.
Entre os elementos levantados pelos investigadores estão movimentações financeiras atípicas e a negociação de bens imóveis por terceiros. A força-tarefa identificou inconsistências em documentos, a exemplo de divergências de datas na negociação de um loft situado na Alameda Rio Branco, ponto nobre do Centro de Blumenau.
Defesa e desdobramentos jurídicos
A defesa dos investigados informou que não teve acesso integral aos fundamentos que embasaram os decretos de prisão preventiva. Em nota, os advogados classificaram as prisões como medidas extemporâneas e desnecessárias, argumentando que os clientes vinham mantendo postura colaborativa com os órgãos de apuração.
O processo tramita sob sigilo judicial. Os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão passam por perícia técnica para subsidiar o andamento do inquérito policial e a análise do Ministério Público.