Proibição de cavalos na Oktoberfest causa polêmica

Wednesday, 05 March 2025
Medida dividiu opiniões nas redes sociais. Mas quais seriam os prós e os contras? É o que debateremos nessa matéria.
A prefeitura de Blumenau anunciou recentemente uma série de mudanças na Oktoberfest, mas a que mais dividiu opiniões pelas redes sociais foi a substituição de veículos de tração animal por alternativas mecânicas, ou seja, a extinção dos populares cavalinhos.
O decreto proibindo o uso de tração animal em desfiles organizados pelo município acabou por suspender todos os contratos que previam o uso de cavalos para puxar carroças e carruagens e pegou as pessoas de surpresa. Egídio ficou nacionalmente conhecido pela sua luta em prol dos Direitos dos Animais e já era sabido que priorizaria tal bem-estar em sua gestão.
Em postagens pela internet – fora de bolhas contrárias e favoráveis à idéia – as opiniões se dividiam. “Ridícula isso, acabando cada vez mais com a tradição, com a cultura de anos, quanto não vai gastar com essa coisa ridícula, não tem mais nada para se preocupar em Blumenau está tudo certo, tudo 100%”, disse uma seguidora do Blog do Jaime enquanto outra afirmou: “Já temos os circos sem animais, talvez muitos não saibam do quanto existe de sofrimento para treinar qualquer animal”. A maioria dos comentários criticava a medida e ironizava a situação da cidade, como um que diz: “Que tal um decreto proibindo a falta de fornecimento de água, ou multa para empresa de ônibus quando houverem atrasos ??”.
Fato
Egídio Ferrari é um celebrado defensor da causa animal e uma parcela da população não vê a presença de animais em eventos públicos com bons olhos. Era natural e previsível que ele faria algo a respeito disso.
Por um lado, a participação nesses eventos realmente estressa os bichinhos causando desconforto e podendo afetar sua saúde. Outro ponto tem a ver com segurança e limpeza: cavalos podem apresentar risco quando ficam arredios por fatores externos e também deixam muitas fezes por onde passam. Isso tudo, claro, sem considerar o apoio de movimentos sociais que militam pela causa ou mesmo a tendência global contemporânea para reforçar a ética animal enquanto substitui o antigo por versões modernizadas.
Por outro lado, tais animais tendem a ter níveis de estresse muito similares em suas rotinas normais de trabalho. Fundamentais para a história do nosso povo, merecem ser retratados e sua omissão depõe contra a tradição local, podendo descaracterizar ao ponto de deformar nossos mais típicos costumes. Isso sem mencionar o impacto para a Economia, já que cuidadores, criadores e condutores de cavalos que participavam dos desfiles podem perder uma fonte de renda e a dependência tecnológica cria toda uma nova gama de problemas. Nesse sentido, a resistência cultural pode vir a ser tamanha que emudeça qualquer apoio social por parte de parcelas específicas da comunidade.
Opinião
A iniciativa de Ferrari é corajosa, uma vez que ele aborda o delicado equilíbrio entre modernização e tradição independente do barulho causado.
Tem grande potencial para receber o bônus em posicionar nossa cidade como líder em práticas sustentáveis em eventos culturais, mas enfrentando o ônus de desagradar uma enorme parcela das pessoas que amava ver os animais na festa confundindo quem tinha carinho por ver cavalos desfilando com alguém que não se importa com tais direitos. A transição entre o novo e o antigo será a chave para o sucesso e o detalhe será a acuidade da estética assumida.
Talvez, um meio termo que pudesse auxiliar na adaptação, seria a criação de um espaço para que visitantes pudessem ver os animais sendo respeitados em seu habitat.
De qualquer forma, a Oktober acontecerá entre os dias 8 e 26 de outubro na Vila Germânica e tem tudo para corrigir os estragos vexatórios da gestão Mário Hildebrandt.