Balneário Camboriú prepara pacote de R$ 700 milhões em infraestrutura

Balneário Camboriú prepara pacote de R$ 700 milhões em infraestrutura
Foto: Divulgação

Thursday, 15 October 2026

Obras na orla, reurbanização da Avenida Brasil e projeto contra cheias marcam nova fase do urbanismo no litoral catarinense.

Vizinha da região de Blumenau e um dos principais polos turísticos do Vale do Itajaí e do Litoral Norte catarinense, Balneário Camboriú prepara uma grande transformação urbana. O município projeta aplicar mais de R$ 700 milhões em um conjunto de obras estratégicas voltadas à infraestrutura, mobilidade, saneamento e contenção de impactos ambientais.

Com uma área de apenas 45,2 km² e população fixa de 139.155 habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade chega a receber cerca de 2 milhões de visitantes durante os meses de alta temporada. O forte adensamento populacional e a rápida verticalização impulsionaram a necessidade de intervenções estruturais para sustentar o crescimento sustentável das próximas décadas.

Reurbanização da Avenida Brasil mobiliza setor privado

Entre os destaques do plano de investimentos está a requalificação da Avenida Brasil, o principal corredor comercial da cidade. A intervenção abrangerá aproximadamente 4,5 quilômetros de extensão, com custo estimado em mais de R$ 300 milhões.

O projeto prevê a conversão da rede elétrica e de telecomunicações para o modelo subterrâneo, ampliação das calçadas, implementação de normas de acessibilidade, melhorias no sistema de drenagem pluvial, paisagismo, novo mobiliário urbano e readequação da circulação de pedestres, ciclistas e veículos.

Na fase preparatória, mais de 40 empresas articuladas pelo Instituto +BC vão destinar cerca de R$ 10 milhões para o financiamento dos estudos e projetos técnicos, que serão formalmente repassados ao poder público municipal para a abertura do processo licitatório.

Orla da Praia Central e Parque Inundável no Rio Camboriú

Outra grande frente de trabalho é a reurbanização da orla da Praia Central, orçada em cerca de R$ 300 milhões, destinada a atualizar a infraestrutura do cartão-postal da cidade. Na área de meio ambiente e balneabilidade, o município avança com ações contínuas de saneamento por meio do Programa Praia Limpa.

Para mitigar problemas históricos da região, as prefeituras de Balneário Camboriú e Camboriú lançaram a licitação para a construção do Parque Inundável Multiuso da Bacia do Rio Camboriú. Com investimento previsto de R$ 95,2 milhões, a obra tem objetivo duplo: amortecer o impacto de enchentes na bacia hidrográfica e garantir o reservatório de água para o abastecimento das duas cidades durante ciclos de estiagem.

Para balizar o desenvolvimento nas próximas três décadas, o município encomendou um masterplan ao escritório do arquiteto e urbanista Jaime Lerner, estabelecendo diretrizes de mobilidade e uso do solo urbano.

"Acompanhei diferentes momentos de transformação de Balneário Camboriú e a cidade sempre teve a capacidade de olhar para frente. O próximo desafio é preparar a infraestrutura para acompanhar esse desenvolvimento", destaca Cláudio Fischer, CEO do Fischer Group e diretor do Instituto +BC.

Evolução na arquitetura e conceito de sustentabilidade

A remodelação da cidade reflete-se também no setor da construção civil local. A história do Fischer Group no município começou na década de 1950 com a fundação do Hotel Fischer, marco inaugural da hotelaria de alto padrão no litoral do estado. Atualmente sob gestão de sua terceira e quarta gerações, a empresa atua no segmento boutique de empreendimentos, sendo responsável por projetos como Terraço Boa Vista, Casa Cubo, Casa Estaleiro e o Fischer Dreams, erguido no terreno do antigo hotel.

Em parceria com o escritório italiano Archea Associati, o grupo lança o Auris Residenze. Concebido sob o conceito de "edifício-árvore", o projeto adota princípios de biofilia, jardins suspensos e estrutura aparente.

"A próxima geração de arquitetura precisa responder aos novos desafios urbanos. Não se trata apenas de construir edifícios maiores, mas de criar espaços conectados com as pessoas e com o ambiente onde estão inseridos", avalia Thomas Fischer, representante da empresa.


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Redação

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